domingo, 19 de maio de 2013

Braga Semanario - Edição de 17 de Maio


 
 
 
 
 
 
 
 
 
Interesses públicos...
 
Quando os bracarenses pensavam que o pior já tinha sucedido, nomeadamente recordando o
incompreensível aumento brutal das tarifas de água e saneamento, depois de um ano em que a AGERE deu lucros milionários, ou do estranho caso do aumento e concessão da área de parqueamento automóvel à Britalar, surgiu o caso da Pousada da Juventude, numa inacreditável expropriação citada como "urgente" e que vai saldar a hipoteca da filha e genro do Presidente da Câmara.

A este respeito convém lembrar que a ideia da pousada da juventude nas Convertidas foi admitida pela autarquia, pela primeira vez, no debate público promovido pela Braga + e JovemCoop, a 27 de novembro de 2012. O objectivo era aproveitar um eventual financiamento europeu para recuperar o monumento.

Logo a 31 de janeiro de 2013, Mesquita Machado surpreendeu o universo bracarense dizendo que apoiava o projecto da pousada nas Convertidas, mas que o mesmo poderia ser alargado aos prédios vizinhos; Nesta altura, segundo os dados avançados pelo jornal Público, esses prédios ainda estavam na posse da sua filha e genro... A 30 de abril de 2013 a posse dos imóveis passa para uma empresa imobiliária e quatro dias depois a Câmara Municipal anuncia a expropriação com carácter de urgência dos mesmos imóveis... A 9 de maio de 2013 a Câmara Municipal aprova a tal expropriação urgente, com a conivência de todos os vereadores socialistas, sem pedir a avaliação do imóvel, sem qualquer projecto para o local; sem garantias de financiamento; sem sequer deter a posse das Convertidas - que afinal parece não interessar para nada...

Rui Ferreira

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Braga Romana
 
Vem aí a semana da “Braga Romana”, evento que cada vez mais cativa as pessoas, bracarenses e não só, e promove um salutar espírito de convívio, baseado na inspiração histórica.


Os tempos de Bracara Augusta estão documentados nos vários vestígios arqueológicos que Braga timidamente ostenta, sem lhes dar um grande valor.

Quantos bracarenses saberão que as guias graníticas no Largo de S. Paulo pretendem evocar as habitações romanas que ali foram exumadas? Ou quem associa as pedras que se encontram à entrada da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva a um embasamento de um pórtico que circunscreveria uma das maiores ruas romanas de Augusta? Cremos que poucas, ainda que também tenhamos esperança que este cenário se vá invertendo com as sucessivas actividades promovidas pela JovemCoop, que visam aproximar os cidadãos ao seu património e contextualizar as heranças que nos foram legadas.

Ainda assim, há proprietários de estabelecimentos que tentam extrair mais-valias do legado histórico com que foram presenteados aquando das reformulações e obras nos seus edifícios.

Ricardo Silva

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Quando a bota não bate com a perdigota
 
Há coisas que não têm qualquer explicação, senão a única virtude de produzir o espanto que é devido ao escândalo. Isto é, simplesmente, o sentido de vergonha.
Quando em Braga decorria o “V Congresso Nacional das Cidades Educadoras”, tendo por ideia central o papel educador das Câmaras Municipais – isto é, o exemplo que estas devem dar aos seus cidadãos - ao mesmo tempo que ainda se digeria o escândalo da maioria socialista em ter votado a compra dos terrenos da antiga cerca das “Convertidas”, sob o móbil enganoso da preservação do património e da famigerada pousada de juventude, vieram-nos à memória aqueles famosos conceitos de Educação, do não menos célebre sábio brasileiro da especialidade, Paulo Freire, e que dão pela expressão de MANIPULAÇÃO e MANUTENÇÃO do STATUS QUO. Vale pena rever a sua interpretação nos dias que correm para compreendermos melhor aquilo que não tem compreensão:

Miguel Bandeira

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Uma Família Portuguesa
 
Uma família portuguesa é constituída por dez elementos a viver debaixo de um tecto comum. Dois
casais unidos por laços de sangue com os respectivos filhos menores, um de cada casal, duas avós, um avô e um tio solteiro. As mulheres de ambos os casais são operárias fabris que contribuem com pouco mais que um salário mínimo mensal lá para o agregado familiar. Um dos maridos tem um trabalho mais especializado o que lhe permite obter uma remuneração mensal um pouco superior a dois salários mínimos.

O outro homem da casa está desempregado e sem qualquer subsidio.

João Lopes

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Caminho obscuro

No momento em que escrevo estas linhas não são ainda conhecidas as decisões do Governo acerca do assim
designado
Projeto de Refundação do Estado Social, que deverá ser apresentado à Troika por ocasião da próxima avaliação do programa de resgate. Convirá, no entanto, não perder de vista três coisas: 1ª - Desde o princípio, este “projeto” foi apresentado com base numa única ideia (redução das despesas correntes do Estado); 2ª - Tal ideia fixava, à partida, um número (4 mil milhões de euros); 3ª – Tal número baseava-se num equívoco (o défice releva, em primeira mão, das despesas correntes do Estado).

João Mesquita

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Sondagem

Sondagem Junta da Sé+Cividade+Máximinos

Resultados

(10-04-13)



1 António Carneiro 73

2 José do Egipto Silva 53

3 João Pedro Fernandes 34

4 Outros 11

5 António Sousa 10

6 João Seco Magalhães 10

7 Armando Rosas 06

8 Ilídio Sousa 04

8 Luís Gonzaga Macedo 03

10 António Ferreira 01
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Foto da semana

CDU de Braga visita Associação Os Bravos da Boa Luz
 

O Nosso Café - Parte III


sábado, 11 de maio de 2013

Braga Semanario - Edição de 10 de Maio


 
 
 
 
 
 
 
 
S. João de Braga: Festa muito antiga
 
A pouco mais de um mês da grandiosa festa de São João de Braga e a propósito da importância
indevida que alguns pretendem atribuir aos festejos recentes ao mesmo Santo, em outras localidades, convém referir, para que reponha a verdade histórica, a antiguidade dos festejos bracarenses.

Embora a história da Festa do S. João de Braga esteja ainda por fazer são vários e coevos os documentos que a referem.

Com efeito através do cónego da Sé de Braga Dr. José Marques que estudou os pergaminhos existentes nos arquivos da confraria de S. João do Souto, ficamos a saber que a primeira referência a esta confraria data de 1186 e que tinha como sede a Igreja de S. João do Souto, construída como capela particular por Pedro Ourives e sua mulher Elvira Mides, que em 1161 a doaram a D. João Peculiar instituindo-a, este, em paróquia.

João Tinoco

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Os Ursos mandam novas!
 
A Paulinha e o Tó concederam-nos, hoje, este espaço. Nós, somos os Ursos.
Vivemos num País diferente do Vosso. Nem melhor, nem pior. Apenas diferente.
Por exemplo. Ser um Urso, em Portugal, normalmente, não é um bom epíteto.
Aqui, porém, designa alguém forte, com uma personalidade para além de qualquer medo! De tal forma que, na nossa língua, temos muitas pessoas que se chamam, precisamente, Urso. Talvez o mais familiar, seja um dos maiores tenistas da Historia do Ténis, Björn Borg (Böjrn = Urso).
Temos um território muito extenso, mas pouca população. A mesma que Portugal.

Paulinha e Tó da Suécia

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Devastação – A natureza do capitalismo
 
Na frente do mercado, o novo paradigma técnico-científico veio abrir ao jogo do dinheiro a
possibilidade de aventuras inimagináveis há poucos anos e que imprimiram características caóticas ao desenvolvimento selvagem do capitalismo, provocando, neste início de milénio, uma crise sem precedentes. Crise que não é somente económica e financeira, ela é, também e por arrasto, uma crise social e civilizacional.
Assustado, e já a adivinhar o que estava para vir, Milton Friedman, o pai dos Chicago-Boys, ainda antes de ter terminado o século XX, pedia o fim do FMI; Georges Soros, o rei dos especuladores, o homem que afundou a libra esterlina, sugere a imposição de controlos capazes de conter os excessos do mercado globalizado. Sintomas do grande medo que, já então, os sacerdotes laicos do neoliberalismo de modelo hayeckiano incorporavam. Mas veio o subprime, a bolha estourou, os bancos faliram, tendo sido necessário a intervenção dos Estados (que o mercado tanto abomina) para salvá-los, em detrimento dos povos dos seus países; grandes, médias e pequenas empresas tiveram que fechar as portas, mandando para o desemprego milhares de trabalhadores e deixando famílias inteiras entregues à sua sorte. A crise instalou-se!

António Pereira

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O cover das Convertidas
 
Quem gosta de música sabe que o “cover” é um sucesso passado que já foi antes cantado por outros.
Não é uma criação do intérprete que agora o executa, mas é um tema de reportório, quando não há mais, destinado a impressionar o público. Isto é, para dar uma imagem melhorada de si, tantas vezes porque se está gasto e limitado na capacidade de criar algo de novo.
É assim que vemos a requentada proposta do Senhor Presidente de Câmara, em final de mandato - quando deveria estar a arrumar os papeis da sua eternidade política - em vir propor que o património barroco do Recolhimento das Convertidas, na avenida Central, possa ser reconvertido no laico uso de uma pousada de juventude.

Miguel Bandeira

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Uma saída para a nossa crise?
 
Cada vez mais somos bombardeados com notícias de que a situação do País está a degradar-se
exponencialmente por tantos e tantos motivos. Vou focar em duas variáveis que contribuíram para este descalabro: automóvel e petróleo. Ambos têm de ser importados há décadas, o primeiro, por não termos colocado o cérebro em acção, o segundo, por não nos ter sido dotado pela Mãe Natureza. Mas não se pense que a História foi sempre assim. Na nossa época dourada, os “Mercedes, BMW´s e Audi´s” estavam atracados nos nossos portos. As embarcações dos Descobrimentos eram alvo de cobiça por uma grande parte dos povos europeus. Os nossos antepassados souberam usar o génio. O vento era o “petróleo” daquele tempo.

João Lopes

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Quem paga manda!
 
Sempre foi assim, e assim continuará a ser! Aprendi desde cedo que em casa dos meus pais, eram
eles quem mandavam em mim porque eram também eles que me sustentavam e pagavam as minhas despesas. Acho que todos estamos de acordo que isto é o normal em todas as casas onde há uma boa gestão familiar. Quando vemos o inverso, ou seja, quando são os filhos sem rendimentos a exigir e a gerir o dinheiro dos pais, acredito que também todos estamos de acordo, é uma situação anormal!

Pois bem, é mais ou menos isso que se passa em Portugal. Neste caso, Portugal é o elemento que não tem rendimentos para pagar as suas despesas e os pais serão os credores que emprestam o dinheiro (obviamente, não o dão porque não são nossos pais), representados por uma troika que defendem os interesses destes credores.

Ricardo Freitas

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Sondagem

Sondagem Junta da Sé+Cividade+Máximinos

Resultados

(10-04-13)



1 António Carneiro 73

2 José do Egipto Silva 53

3 João Pedro Fernandes 34

4 Outros 11

5 António Sousa 10

6 João Seco Magalhães 10

7 Armando Rosas 06

8 Ilídio Sousa 04

8 Luís Gonzaga Macedo 03

10 António Ferreira 01

A Gata chegou á cidade, começou a desbunda


terça-feira, 7 de maio de 2013

Braga Semnário - Crónica de Miguel Bandeira








O cover das Convertidas
Quem gosta de música sabe que o “cover” é um sucesso passado que já foi antes cantado por outros
É assim que vemos a requentada proposta do Senhor Presidente de Câmara, em final de mandato - quando deveria estar a arrumar os papeis da sua eternidade política - em vir propor que o património barroco do Recolhimento das Convertidas, na avenida Central, possa ser reconvertido no laico uso de uma pousada de juventude.
Mas como toda a gente sabe este não é o verdadeiro problema do Recolhimento das Convertidas. Depois do catálogo de alvitres que estimulou estes meses o voluntarismo e a cidadania com as mais diversas propostas de reabilitação do monumento, hoje toda a gente já percebeu que não se dispõe de recursos públicos para sustentar uma intervenção digna da preservação do valor do património em causa. Quando a ASPA propôs neste mesma coluna, em 17 de Dezembro passado, que as Convertidas passassem a ser um polo do museu dos Biscainhos, não foi para reverter mais dinheiros públicos, criar mais lugares, aventar novos arrojos museológicos, etc., mas tão só, atender à emergência da preservação essencial do monumento, designadamente, promover a consolidação física do edificado (reforço de estruturas e cobertura), garantir a sua segurança, proceder ao rebocamento e à limpeza, e, recorrendo à estrutura museológica já existente na cidade, oferecer visitas regulares, ainda que periódicas ou por marcação. Contrariados, é verdade, temos de o confessar, mas muito realisticamente conscientes, pois tudo o resto terá de aguardar por melhores dias.
Também todos aqueles que amam verdadeiramente o património já perceberam que as Convertidas são uma espécie de “máquina do tempo”. Desde o século XVIII que o Recolhimento chegou até aos nossos dias com uma função continuada, que não pode ser mantida, obviamente, porque é anacrónica, mas, igualmente, porque é sabido que uma memória histórica com este valor não resiste às condicionantes de um qualquer caderno de encargos próprio de um equipamento colectivo do nosso tempo. Estamos convictos que, nem mesmo o alcance mais sóbrio ou imaginativo de um arquitecto garante uma intervenção honesta sem o dispendio de avultados recursos financeiros. Por isso temos dúvidas que hajam projectos para as Convertidas nos próximos tempos que preservem a autenticidade e a genuinidade do seu alcance patrimonial.
Pena é que, mais uma vez, muitos não tenham entendido que o principal interveniente público, e quem verdadeiramente percebeu tudo isto, tenha sido o nosso Presidente de Câmara. Infelizmente não pelas melhores razões, já que todos o sabemos, independentemente dos seus méritos pessoais, é consensual para todos, que não irá ficar para a história pela defesa e promoção do património histórico e cultural de Braga.
O nosso Presidente sabe melhor que ninguém que não haverá dinheiro para construir uma nova pousada garantindo a preservação das Convertidas senão for possível avançar pelas casas da Avenida Central que estão ao lado – vá-se lá saber de quem são e os bens que constituem e também a quem pertencem – e, sobretudo, se o novo “complexo” não se estender ameaçadoramente pelos terrenos traseiros das hortas/jardins do interior do quarteirão. De facto, o que resta da antiga cerca do recolhimento, oferece um significativo stock de terreno para tornar especultiva a obra e rentável para mais um possível negócio imobiliário no centro histórico de Braga.

Perspetiva mais recente do valor “patrimonial” cobiçado das Convertidas (google maps)
. Não é uma criação do intérprete que agora o executa, mas é um tema de reportório, quando não há

mais, destinado a impressionar o público. Isto é, para dar uma imagem melhorada de si, tantas vezes porque se está gasto e limitado na capacidade de criar algo de novo.
Claro que isto não constitui qualquer problema para quem, da preservação do património de Braga, caucionou a centro histórico à repressão “fachadista” de uma longa noite urbanística. Para a edilidade, desde que se possa manter o alçado cénico vertente para a avenida central, tudo o que fica para trás não tem a menor importância, incluindo, claro está, e disso, caro leitor, não tenha a menor dúvida, a integridade das casas setecentistas aí existentes.
Decorridos quase 17 anos que, aqui nesta coluna (EA-DM:6/V/1996), denunciámos o crescimento desregulado da cidade no “miolo dos quarteirões” do centro histório de Braga, a anunciada pousada nas Convertidas, não sendo mais do que um crime lesa património, representaria mais um duro golpe na já desvastada mancha verde urbana de Braga. Isto é, mais densidade construtiva associada às dificuldades de tráfego e estacionamento; mais impermeabilização do solo, com aumento de carga das escorrências pluviais, subida da temperatura média da “ilha de calor” urbana, e redução da qualidade do ar; extinção das relações de vizinhança, degradação da qualidade de vida dos moradores e da sua segurança. Enfim, a cidade, há pouco tempo com 12m2 de área verde por habitante (falta descontar o “verde” dos sintéticos e das rotundas), continua a betomizar perigosamente o espaço urbano, em particular, o centro histórico, afastando-se assim do ratio de 40 m2/habitante de área verde recomendáveis pelas instâncias de referência nacionais e internacionais, dos quais 30 m2/habitante de área verde primária (zonas ribeirinhas e área verde arborizada/parques urbanos) e 10 m2/habitante de área verde secundária (logradouros, jardins, praças ajardinadas, etc.). As mesmas que, no nosso caso, apontam para a necessidade de se chegar aos 480 hectares de área verde urbana, nos quais se integram os referidos logradouros existentes no miolo dos quarteirões.
Braga precisa definitivamente de deixar de ouvir a mesma música, ainda que esta nos surja com outros arranjos e orquestrações, ou até mesmo com os diferentes intérpretes da continuidade. Chega de cover’s, já é tempo de compor alguma coisa de novo!